segunda-feira, julho 19

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Televisão

Glamour, quitutes e alfinetadas na festa de 'Ti-Ti-Ti'

Maria Carolina Maia

O ator Alexandre Borges, na festa de lançamento da 
novela 'Ti-Ti-Ti'
O ator Alexandre Borges, na festa de lançamento da novela 'Ti-Ti-Ti' (Claudio Gatti)
Atores da trama comemoram e sorriem para a imprensa, enquanto dramaturga Maria Adelaide Amaral protesta contra a censura à imprensa e aos costumes
Uma multidão de atores, convidados e jornalistas se aglutinava no Espaço Leopolldo, na noite deste sábado, em São Paulo, dificultando a vida dos garçons que tentavam abrir caminho para bandejas carregadas de referências à França e à Espanha – as falsas origens de Jacques Leclair e Victor Valentim, os estilistas rivais de Ti-Ti-Ti, novela que ganha nova temporada na Rede Globo a partir desta segunda. Entre agulhas, botões e outros adereços de costura, a equipe da trama sorria para fotos e tecia comparações com o Brasil da década de 1980, época da primeira exibição da trama de Cassiano Gabus Mendes. “Nunca fomos tão livres como no fim dos anos 80”, lamentava a dramaturga Maria Adelaide Amaral, autora do remake de Ti-Ti-Ti. “Estamos sob censura”, alfinetava.
Maria Adelaide reclamava do que chamava de “falta de condições” de fazer outro remake do “mestre” Cassiano – foi ele que levou a escritora de teatro para a TV, em 1997, para trabalhar na nova versão da novela Anjo Mau, e que a ensinou a gostar de televisão. “Eu queria fazer Que Rei Sou Eu?, mas não existem condições políticas e sociais hoje. A censura está forte, a imprensa não consegue dar notícias sem sofrer processos. O Estadão está censurado há quase um ano”, disse, referindo-se ao fato de o jornal O Estado de S. Paulo não poder publicar matérias a respeito de denúncias de corrupção na família Sarney. “Estamos vivendo uma era de neocaretice insuportável.”
Claudio Gatti
A dramaturga Maria Adelaide Amaral e o ator Luis Gustavo
Maria Adelaide Amaral e o ator Luis Gustavo
Ainda num tom crítico, a dramaturga prometeu resgatar a “leveza” do horário das sete, que, segundo ela, está sofrendo com produções “pesadas e desinteressantes”. “Esse é o horário da leveza. É a única hora que o telespectador tem para respirar.” Para isso, ela conta com o humor “variado” de Cassiano e com os elementos do mundo da moda, universo em que mergulhou com a assessoria de especialistas como Gloria Kalil. “Precisei de ajuda, porque não entendia nada de moda e porque era preciso atualizar a história: nos anos 1980, Jacques Leclair era chamado de costureiro, palavra que nem se usa mais: agora é estilista. A indústria da moda se profissionalizou.”

Tramas incidentais - A nova novela das sete não é apenas um remake de Ti-Ti-Ti: ela incorpora tramas e personagens de duas outras novelas de Cassiano Gabus Mendes: Plumas e Paetês e Elas por Elas, de onde saiu o detetive particular Mario Fofoca, vivido aqui por Luiz Gustavo – o Victor Valentim dos anos 1980. “É muito maluco voltar a essa novela sob outro ponto de vista”, avaliava Gustavo, que diz confessa ciúme do ator Murilo Benício, o novo rival de Jacques Leclair. “Mais que ciúme, é uma espécie de inveja, é saudade de ter aquela idade e poder fazer aquele papel.”
Gustavo disse não ter conversado com Benício a respeito do personagem. “Não falei nada para ele, não dei nenhum toque. Eu não tenho esse direito, e ele nem precisa.”

Composição de personagens, aliás, era um dos assuntos da noite. Para criar Jacques Leclair, por exemplo, o ator Alexandre Borges disse ter se inspirado no estilista Dener, morto no final dos anos 1970. “Meu personagem tem um pouco dele, porque é andrógino, e carrega a afetação para a vida dele.”

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