“Cântico azul-marinho e verde-esperança”

Cansam-me as mentes austeras cingidas pela escassez de interesse por várias esferas.
E espanta-me a insensatez de quem louva a austeridade fruto da incapacidade para um pensamento aberto que, perante o que é incerto, esconde a dúvida no erro
que é condenar-se ao desterro de cumprir uma matriz e com isso ser feliz.
Quero quem tenha do humano a maior sabedoria, para lidar, mano a mano, com a vida do dia a dia,que não vem num manual
- tantas são as variáveis -,
- tantas são as variáveis -,
pelo que é essencial que, de todos os notáveis, ganhe quem saiba da alma da gente que, de uma vez, conseguiu levar a palma, contra um “fado” português "cantado” por outro austero, de corpo e de pensamento, que, com pulso rude e fero, fez do país monumento ao silêncio, ao medo, à morte...
Não quero quem me lembre de tal sorte, quem confine a uma baía o mar da vida, insistindo numa rota já batida que leva a um só cais,
num mar cinzento e frio, sem risco ou chama.
Quanto aos demais, lá, onde mora o sonho e a alma se derrama por horizontes há tanto desejados, são cais esquecidos, são portos ignorados pela barca de um só rumo, cega e surda às vozes que, na amurada, se levantam, quando o vento da vontade nasce e muda o rumo e a rima dos versos que ao mar cantam.
Por isso, a esses cais não vai qualquer navio.
Só vai o que não teme o desafio de inscrever no voo das gaivotas a rima de outros versos, a espuma de outras rotas que nunca o céu de chumbo encobriu.
Só vai o que não teme o desafio de inscrever no voo das gaivotas a rima de outros versos, a espuma de outras rotas que nunca o céu de chumbo encobriu.
Por que voltar à cinzenta rota antiga, se há tanto azul no mar e verde na cantiga e a vontade de cantar não se extinguiu?
Bom Dia! Ótimo Sábado!