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domingo, agosto 29

Especialista explica prós e contras em dividir a cama com os pets




Todas as noites, a jornalista de moda Carolina Machado de Abreu divide sua cama com dois de seus quatro poodles, a Bárbara e o Luis Felipe. Os outros dois (Bianca e Gustavo), dormem com seus pais, Eliana e Manuel. Ainda sobra a vira-lata da família, que não tem permissão para entrar nos quartos. “Ela solta muito pelo e minha mãe fica brava”, conta Carolina. Eliana parece ser a única a se incomodar com o fato dos cachorros dormirem na mesma cama. A cadela Bianca, xodó de Manuel, late com qualquer barulho e acorda seus tutores. “Minha mãe sempre reclama que não dorme direito, que sente dor nas costas e fala ‘esses cachorros não vão dormir no quarto essa noite’. Mas no meio da madrugada meu pai vai buscá-los e todos ficam na cama”, diz a jornalista.




Esta situação se repete em milhares de casas pelo mundo. Uma pesquisa de 2007, realizada com 2.500 americanos, revelou que 43% dos cães dormiam na cama de uma pessoa durante a noite, um aumento de 34% comparado aos anos 90. Mas afinal, há algo de errado em dividir seu dormitório com um amigo tão especial? Segundo Rúbia Burnier, médica veterinária especialista em comportamento animal, há vantagens e desvantagens em compartilhar os lençóis com os animais de estimação.




“A principal vantagem do ponto de vista humano é a sensação de aconchego e prazer que a companhia do animal proporciona, como se fosse uma recompensa. O corre-corre da vida moderna, a falta de tempo e de lazer, a necessidade de carinho e de atenção podem ser supridas pelo simples contato com o cão, que hoje é encarado como filho e um membro da família. Para algumas pessoas, dormir com o animal é uma forma de recompensa, pois alivia a culpa e o remorso por ter estado fora de casa”, explica.
Para ela, a grande desvantagem é virar refém de uma situação criada pelo próprio tutor. “Uma vez condicionado, o animal não consegue mais dormir sozinho. Tem gente que deixa de sair ou volta mais cedo pra casa porque imagina que o bicho não está bem. Outras desistem até de viajar caso não possa incluir o bicho na bagagem”, diz.




De acordo com Rúbia, a maior dúvida das pessoas em dormir com seus animais é em relação aos riscos para a saúde. Essa relação exige cuidados com a higiene, o que geralmente é desconsiderado pelos tutores. Sem contar que a cama fica cheia de pelos e pode provocar reações alérgicas, tanto de pele quanto respiratórias (rinites, sinusites, tosse etc). Além disso, quem dorme com o cão tem que se adaptar aos horários dele e se acostumar com os gases e roncos. “Se você escova os dentes do seu cão diariamente, limpa as patas e o bumbum antes de dormir, se dá vermífugo e vacina regularmente, escova a pelagem com frequência e dá banho a cada oito ou dez dias, não existe risco em dormir com seu cãozinho”, conta.




Apesar do conforto em dormir com seu bichinho e da felicidade dele em passar a noite toda em uma cama deliciosa em sua companhia, o hábito estimula a dependência do bicho em relação ao tutor e o impede de desenvolver sua autonomia, tornando-o vulnerável e carente. O resultado disso é que dificilmente o animal consegue lidar com mudanças de rotina e geralmente ficará mais ansioso na medida em que envelhece. Segundo a veterinária, o ideal é que o cão tenha seu próprio canto pra dormir.